Há coisas que nunca pensámos que nos pudessem vir a acontecer. E, sem qualquer aviso, tudo muda depois de ter um filho. Nesta altura, a vida ganha uma nova máxima. E já não falo das nódoas constantes na roupa, marcas que as pequenas mãozinhas teimam em deixar, aqueles pedaços de comida que só reparamos quando chegamos ao trabalho ou, pior, quando os outros nos chamam a atenção com um olhar reprovador que, sem precisar de palavras, grita a alto e bom som: “grande badalhoca”.
Depois, há o chichi que, qual mangueira incontrolável, nos teima em regar mesmo quando pensamos que já nada nos apanha desprevenidos. Hoje, tive uma estreia com direito a banho completo (meu) e muda de roupa: um banho de vómito. J
á imagino os olhares de repugnância e aversão, as exclamações de horror, os trejeitos de pena. Mas a verdade é que, no meio da confusão que subitamente se instalou em casa, da correria para evitar ainda mais estragos (sei agora que pior era mesmo impossível), a sensação não foi, como imagino teria sido há uns anos, a de horror. A sujidade que me cobria nunca me incomodou. O que mais impressão fazia era mesmo o choro e aflição de quem não queremos ver chorar, a pressa em ter tudo bem, para que ele também ficasse bem. Quanto ao resto, podia esperar. A roupa acabou por se mudar e o banho apagou todos os vestígios daquele momento.
Depois ficou a certeza: se não é isto o amor de mãe, não sei o que será.

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