– Quando é que vais escrever a carta ao Pai Natal? – perguntei-lhe eu.
– O Pai Natal não existe. Até a professora já disse isso. – respondeu ele, com a certeza que os seus 7 anos lhe conferem.
– Olha, eu acho que a tua professora está errada. O Pai Natal é mágico e isso significa que, se acreditares, ele existe. O que é que tu achas?
– Eu acho que ele não existe… mas não tenho a certeza absoluta.
– Então porque é que não escreves uma carta? Aposto que ele te vai responder.
– Está bem.
E lá foi ele, decidido a contactar com o Pai Natal, para minha grande alegria. Regressa, meia hora depois, com uma folha cheia de prosa.
– O que é isto? – pergunto eu, incrédula com o tamanho da lista, composta por várias dezenas de artigos que ele retirou dos muitos catálogos de supermercados que nos têm enchido a caixa do correio.
– É a minha lista. E agora é que eu vou saber mesmo se existe o Pai Natal!
– Como assim? – perguntei eu a medo.
– Se ele não me trouxer tudo o que eu pedi é porque não existe.
Aqui, percebi que ele já me tinha lixado. Ainda tentei remediar a situação, convencê-lo que o Pai Natal não é rico, que lhe doem as costas e não pode trazer muito peso. Mas ele foi irredutível. E foi assim o fim do Pai Natal lá em casa.

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