– Hoje vamos às compras? – perguntou-me ele, com a carteira na mão.
– Vamos ao supermercado – respondi eu, já a adivinhar o que ali vinha.
– Então vou levar a minha carteira para comprar umas coisas.

A caminho do supermercado, enquanto inspeccionava as moedas que lhe enchiam a carteira (moedas de dez, vinte e 50 cêntimos que, todas juntas, totalizavam qualquer coisa como quatro euros), alertou:
– É melhor cada um de nós levar o seu carrinho de compras.
– Porquê? – perguntei eu.
– Porque eu não quero ter que pagar as tuas coisas.
Tive vontade de lhe dizer que não corríamos esse risco, mas calei-me.

No supermercado, desapareceu com o pai. Acercou-se de mim mais tarde, já com as coisas na mão: uma carteira de cromos, uns dentes postiços (o Carnaval está a chegar) e uma caixa de lápis de cor.
– É só isso? – perguntei-lhe.
– Sim. Vamos pagar.

Na caixa, foi ele que passou os seus artigos, que escolheu as moedas (2,57€) e que pagou. Depois, pegou no saco e no talão e passou uns bons minutos a olhar para a conta.
– Está tudo certo. – Disse, sem esconder o contentamento. – E ainda me sobrou dinheiro. Para a semana voltamos.

Anúncios