O tema namoro é recorrente lá em casa. A maior parte das vezes é o melhor caminho para o arreliar. É que o amor não tem andado no ar, agora que estamos na fase “as meninas são nojentas”. Mas ultimamente, tem sido ele a abordar o assunto, ainda que como apenas espectador de uma cena amorosa que se desenrola em vários actos.
– O P. está a tentar arranjar uma namorada nova.
– Ai sim? – o P. é um dos amigos, de igual idade, leia-se, 7 anos.
– Mas não está a ter sorte nenhuma. Ontem foi ter com a D. e perguntou-lhe se ela queria ser namorada dele. Ela disse que não, mas ele não desistiu. Tentou várias vezes até que ela o ameaçou de pancada. Eu fiquei a ver aquela cena triste.
– Não gostavas de ter uma namorada? – perguntei eu.
O silêncio, acompanhado por um olhar de raiva, foi a resposta.
– Hoje, tentou o mesmo com a F. Mas ela mandou-lhe o gorro para o chão e chamou-lhe nomes. O P. está com azar.
– E tu?
– Eu fiquei a ver. Coitado.
– Mas tu não querias uma namorada?
– Eu não! Não gosto dessas coisas. Depois tinha que dar beijos, que nojo!
– Beijos?
– Sim, o P. beijava a M. na boca a toda a hora. – A M. era a namorada do P.
– Mas porque é que o P. quer outra namorada, se já tem uma?
– A M. já não quer dar mais beijos. E depois há a coisa das mãos?
– Das mãos? – perguntei eu, já com algum receio da resposta.
– Sim, ele quer mexer-lhe, pôr-lhe as mãos, mas ela não quer.
A conversa ficou por aqui. Não fiquei completamente esclarecida em relação à questão das mãos, mas acho que prefiro ficar na ignorância.

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