Há coisas que deixam uma mãe orgulhosa e uma delas era o facto de, em quase três anos de vida escolar, ele nunca ter levado para casa um recado na caderneta por mau comportamento. A “estreia”, como definiu o próprio aconteceu agora, à beira do fim do ano letivo. Estávamos tão perto de mais um ano perfeito…
A missiva informava que o G. e o P. tinham andado “à luta”. Referia que o G. tinha sido “empurrado primeiro”, informação, mais uma vez segundo ele, muito relevante, que tinha havido “troca de chapadas” e que o G. tinha ferrado uma dentada no P. E tudo porque, segundo a professora, para quem o tema da briga é digno de relevo, “o P. tinha dito que era melhor guarda-redes que o G.” (de salientar que são os dois uma nódoa).

– Tu mordeste no teu colega? – perguntei eu, horrorizada.
– Foi sem querer.
– Como é que se morde em alguém sem querer? – a pergunta era apenas retórica.
– A minha boca estava aberta e o braço dele foi lá parar.

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