O tema da matéria era Estudo do Meio. Mais precisamente os sistemas que existem no nosso organismo. Confesso que já não me lembrava da maior parte das coisas e, não querendo parecer velha mas soando como uma, no meu tempo não dávamos esta matéria tão cedo. Não me recordo de, aos oito anos, já saber qual era o órgão reprodutor masculino ou o que era a fecundação. Mas adiante.

Estudámos os temas. E ele mostrou-se à altura do desafio. Do sistema circulatório ao respiratório, sem esquecer o urinário, do ureter à traqueia, passando pelos rins, o estômago ou o coração. Ficou tudo na ponta da língua e prontinho para o teste do dia seguinte.

No final desse dia, à saída da escola:
– Como correu o teste? – perguntei eu.
– Muito bem! – a resposta dele deixou-me com um enorme sorriso nos lábios.Tinha valido a pena tanta dedicação! Senti-me inchar de orgulho.
– Respondeste a tudo?
– Sim. Acho que vou ter boa nota.
– E houve perguntas sobre todos os sistemas?
Aqui começou o silêncio (e foi também aqui que eu comecei a perder o ar que me tinha deixado inchada).
– Então? – insisti eu – Saiu o sistema respiratório? E o digestivo?
O silêncio continuou. Comecei a estranhar.
– Mas afinal correu bem ou não?
– Sim… Mas o teste não foi de Estudo do Meio… Foi de Matemática.

Já não ouvia as justificações que se seguiram. Disse qualquer coisa sobre uma confusão feita pela professora, mas sei bem de quem foi a confusão. Depois, decidi olhar para a coisa pela positiva. Ou seja, havia mais tempo para voltar à traqueia, vasos sanguíneos ou bexiga. Quem não gostou muito foi ele.

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