– Gostava de ter um bigode.
Olhei para ele. O ar sério não deixava margem para enganos: a coisa era a valer.
– Gostava mesmo de ter um bigode!
– E vais ter – disse eu.
– Quando?
– Quando cresceres.
– Mas eu queria ter já.
E foi-se embora. Mas a conversa não tinha acabado. Lá de longe retorquiu:
– Ah!!!! Já tenho! Olha.
E voltou para ao pé de mim, com a mão no buço.
– Sente! Estive a ver ao espelho e já tenho. Até pica! Agora só falta a barba. E quero uma daquelas bem compridas.

E pronto. O desejo para este ano é: ter um bigode. E uma barba. E nem os meus argumentos de que barba e bigode compridos vão ficar cheios de sopa o convenceram. A forma de resolver o problema era simples:
– Quando for grande só vou comer peixe e carne. Sopa nunca mais!

Anúncios