Parece que é de propósito: todas as vezes que vamos às compras, lá vem ele com a vontade de ir à casa de banho. E a maior parte das vezes para fazer o serviço número 2. Confesso que me irrita. E muito. E com razão, já que os WC públicos podem ser muita coisa, mas nada de bom.
Naquele dia não foi diferente. Estávamos na Fnac, a ver as novidades literárias, quando ele me informa que tem que ir à casa de banho. Saltou-me a tampa.
– É sempre a mesma coisa. Já viste que todas as vezes que saímos tu tens vontade de ir à casa de banho? Não há paciência!

Ele parou. Olhou para mim e, sempre sem perder a calma, respondeu:

– Eu gritei contigo? Por acaso falei-te mal ou chamei-te nomes?
– Não – disse eu, surpreendida com a pergunta. – Mas eu também não tem chamei nomes, não gritei ou tratei mal. Só que já estou num pouco cansada desta coisa de ir às casas de banho públicas.
– Olha, fala com o meu corpo. Isto é uma coisa natural e eu não posso evitar. Por isso, não sei o que te diga. Mas que estou cheio de vontade, estou.

Eu calei-me. Tive de me calar. É deprimente quando os argumentos dele, com apenas oito anos, me tiram o pio.

Anúncios