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Estudar é uma palavra pouco usada lá por casa, exceção feita nas vésperas de testes, altura em que se fala sobre o assunto (leia-se: eu falo). Ou melhor, que se discute, porque em três anos de vida escolar completos não houve uma véspera de teste em que não houvesse gritaria por causa do estudo. Ou da falta dele.

Não sei se são todos assim, mas quando o aconselho (isto antes de ter perdido a paciência e passado do conselho à obrigação) a estudar, responde-se sempre da mesma maneira:
– Não preciso.

Tem sido sempre assim. Começamos a conversar, de forma calma, e acabamos a gritar (mais eu do que ele) e com ele de castigo.

Até que, na semana passada, um telefonema para casa me deixou sem fala. Quando questionei o que estava a fazer, a resposta que chegou do outro lado da linha, através da avó, foi tudo menos o que eu esperava:
– Está a estudar.
– Como? – questionei eu, acreditando que tinha ouvido mal.
– Está a estudar. – repetiu a avó.
– Mas… Mas vai ter teste? Não me disse nada? – balbuciei eu, já a preparar mais um sermão, que isto de não avisar que vai ter teste é outro das suas práticas.
– Não. O que ele diz é que não se deve estudar apenas na véspera dos testes, mas sim todos os dias.
– O quê? – volto a perguntar, certa de que estávamos a falar de outra pessoa qualquer que não ele.

Desliguei incrédula. Mas mais incrédula fiquei quando, no fim de semana, pegou na mochila e afirmou, sem que ninguém lhe tivesse dito nada, sem gritos ou discussões (que os TPC lá em também casa nunca se fazem sem estes):
– Vou fazer os trabalhos de casa.

A minha única questão é: quem és tu e o que fizeste ao meu filho?

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