– Onde está o teu gorro? – pergunto eu ao fim do dia, quando reparo que, apesar de ter saído de casa com ele, o mesmo não aconteceu na hora do regresso.
– Sei lá. – diz ele, com um ar de estranheza, como se eu lhe estivesse a fazer a pergunta mais descabida deste mundo e de outro qualquer.
– Mas não és tu que devias saber? – volto eu a perguntar. – Ou achas que vou ser eu a descobrir onde está o gorro, quando foi na tua cabeça que ele saiu de casa de manhã?
– Se calhar está na mochila. Ou ficou na escola. Ou está na casa da avó. Ou perdi-o – disse ele, sem uma pinga de preocupação. Ou de arrependimento. E, já agora, sem também mostrar o mínimo interesse em encontrar o gorro.

O diálogo transformou-se, rapidamente, num monólogo, comigo a mandar vir (mais uma vez) por ele não saber onde põe as coisas. O engraçado é que ele sabe de cor o nome, data de nascimento, peso e altura de vários jogadores de futebol, mas depois não consegue lembrar-se de onde enfiou a porcaria do gorro.

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