São tantos os livros que oferecem conselhos para os pais que já lhes perdi a conta. Livros com receitas de calma e paciência, que tantas vezes faltam, é verdade – as minhas, calma e paciência, quero eu dizer, andam quase sempre no limite -, que ensinam a melhor educar (como se isso fosse uma coisa que basta ler num livro e já está), com receitas para filhos mais espertos, mais felizes, mais independentes mais tudo.
Livros que, não raras vezes vezes, me fazem sentir mal. Até acho que nem sou assim uma mãe tão má quanto isso, mas quando leio estes livros percebo que, à luz dos mesmos, sou péssima. Farto-me de gritar (ainda que mais valesse estar calada, já que ele parece que tem um botão de desligar que fica ativo quando o meu tom de voz aumenta), volta e meio coloco-o de castigo (que culpa tenho que ele se porte mal?) e digo não vezes sem conta.
Não sei, por isso, porque é que os continuo a ler, mas o facto é que não resisto a passar-lhes os olhos por cima, quanto mais não seja para lamentar o que poderia ter sido… mas nunca serei.

Anúncios