– Quando for grande, para além da minha atividade principal, vou fazer doces!

A informação foi partilhada com pompa e circunstância. E assim que o ouvi, percebi de imediato que ia sobrar para mim. E não me enganei.
– Podemos fazer um bolo? Podemos?
Porque tinha tempo (e confesso que uma bela fatia de bolo não caía nada mal), decidi fazer-lhe a vontade. Um erro cuja dimensão só vi a perceber mais tarde.

– Posso ser eu a fazer tudo? Posso, posso?

Expliquei-lhe que eu pesava os ingredientes e que ele faria o resto. Escusado será dizer que não me queria deixar fazer nada. E que embora não fizessem parte da lista de ingredientes, as cascas acompanharam os ovos dentro da mistura. E o chef ainda ficou muito incomodado com a minha insinuação de que ele poderia não saber o que estava a fazer.
Lá mexeu e remexeu, sempre a elogiar os seus dotes culinários. E quando o bolo saiu do forno decidiu oferecer a todos (pai e mãe) uma fatia do ‘seu’ bolo.

– Não está maravilhoso? – questionou, apressando-se a dar ele uma resposta, que denota a falta de modéstia que lhe costuma ser característica. – Está o melhor bolo do mundo!

E pronto: missão cumprida. Achava eu. Não foram precisos mais do que cinco minutos para voltar à carga.
– Amanhã fazemos outro.
– Outro quê? – perguntei eu.
– Outro bolo, claro.
Tive que recorrer a vários argumentos para o convencer que não tinha sido a sua melhor ideia. Que não queremos ficar todos os gordos ou sofrer de diabetes, que açúcar a mais faz mal, que não tinha tempo e por aí fora…
Ele não desistiu.
– Então fazemos uma sobremesa.
E deixou-me a falar sozinha para ir procurar a próxima receita, que fiquei a conhecer mais tarde, quando ele me presenteou com uma lista de compras:

E isto tudo para fazer, e passo a citar, “uma extraordinária mousse de abacate”.
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