A aproximação do Natal dá origem, inevitavelmente, a perguntas sobre prendas. Mais minhas do que dele, que me pede quase sempre o mesmo: surpresas.
Repare-se no plural. Sim, surpresas e não surpresa, pois o rapaz deseja sempre muitas prendas. Julguei que, com o passar dos anos, o ato de desembrulhar, tão apreciado pelas crianças mais pequenas (que parecem mais satisfeitas com o rasgar do papel do que com aquilo que este embrulha) perdesse o seu encanto. Enganei-me.
Este ano a conversa já começou, mas ao contrário do costume, partiu dele, que me pediu um boneco qualquer de uma das séries animadas que por aí andam. Cinco minutos depois, novo pedido.
– Mas tu não paras de pedir coisas?
– Dizes-me sempre para eu fazer uma lista… – argumentou ele.
– E não achas que uma prenda chega? – perguntei eu.
– Uma? Tão pouco? Claro que não. Eu sou uma criança e as crianças gostam muito de receber prendas.
– E até quando é que eu tenho que te tratar como uma criança?
O rapaz pensou durante uns instantes.
– Até aos 15 anos.
– Então até aos 15 posso tratar-te como uma criança, é isso que estás a dizer?
Voltou a parar para pensar.
– Espera. Não é bem assim. Se for para dar prendas é melhor tratares-me como uma criança até… aos 18.

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