Por cá ainda não há disto. Ou pelo menos não há oficial e formalmente. Mas a verdade é que o cor de rosa continua a ser cor de menina, que as bonecas são para elas brincarem, e só elas, enquanto aos meninos se oferecem bolas e carrinhos, com os quais se é suposto entreterem. E isto tudo para falar de uma coisa que, no Brasil, está a gerar polémica.

Tudo começou com a criação de uma Escola de Princesas, onde se ensinam às meninas regras de etiqueta (como pôr a mesa, pentear o cabelo, arrumar a casa, etc, etc), no meio de um mar de cor de rosa, com muitos lacinhos, tiaras e outros que tais.

E se muitos foram os que correram a inscreveram as aspirantes a princesas (parece que as vagas chegaram mesmo a esgotar), muitos outros criticaram o que dizem ser um retrocesso. É que, nesta escola, são as diferenças entre os sexos que são enfatizadas, assim como os diferentes deveres e direitos atribuídos a homens e mulheres. Aquilo que nos separa é, aqui, bem maior do que aquilo que nos une – ou que pelo menos devia unir.

Foi assim em Outubro. E a Escola de Princesas volta agora a dar que falar, isto porque acaba de nascer uma Oficina de ‘Desprincesamento’ que, tal como o nome indica, pretende ser uma resposta a esta ideia de que todas as meninas sonham vir a ser princesas.

Oriunda do Chile, onde parece que esta luta já vai longa, é dirigida às meninas entre os nove e os 15 anos. E, de acordo com a sua criadora, que falou à revista brasileira Crescer, o que se pretende é “dar voz às meninas e mostrar que elas podem ser muito mais do que princesas. Podem ser tudo que quiserem”. Temas como a auto-imagem, o papel dos meios de comunicação social e da publicidade na construção dessa auto-imagem, o que é ser menina e até técnicas de autodefesa vão fazer parte do currículo desta Oficina, que não se fica pelas filhas, dirigindo-se também aos pais, a quem interpela com “dicas de como oferecer um ambiente saudável para que nossas meninas possam crescer confiantes, felizes e saudáveis”.

Afinal, não é isso o mais importante?

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