A edição de dezembro da revista Máxima tem um artigo que, pela voz de Clementina Almeida, psicóloga clínica com especialidade em bebés e fundadora e investigadora do BabyLab, da Faculdade de Psicologia e das Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, deita por terra algumas ideias preconcebidas em relação aos bebés. E ajuda a percebê-los muito melhor.

Refere-se, por exemplo, a uma coisa tão simples como falar com o bebé:

“Sabemos que há bebés que ouvem duas mil palavras por hora e há bebés que ouvem não mais do que 600. Isto faz com que, aos quatro anos, quando vão para o pré-escolar, já exista um gap de 30 milhões de palavras entre os que foram e não foram estimulados. E não é só o vocabulário que está diminuto, mas sim áreas cerebrais que estão muito menos desenvolvidas. Isto confirma a correlação entre o número de palavras que o bebé ouve no primeiro ano de vida e o desempenho académico que vai ter até aos 10 anos.” Falar é, por isso, garante Clementina Almeida, “um investimento no futuro”.

Garante a especialista que os bebés nascem brilhantes. E para que o continuem a ser são precisos estímulos e…

“E colo, muito colo, muito mimo, muito afeto para que essas experiências fiquem gravadas em termos cerebrais”.

Em relação às teorias que defendem que se deve deixar os bebés chorar para adormecer:

Há forma de ajudar os bebés nos momentos em que despertam, ajudando a fazê-los “a passagem do chamado sono leve para o sono profundo de forma mais suave”. Mas não, não se trata de uma questão de treino. E muito menos de os deixar resolver por eles qualquer que seja o motivo que os leva a chorar. “Quem defende que se deve deixar chorar os bebés está completamente desatualizado em termos científicos.” Até porque é o colo a melhor de todas as soluções. E tem garantia científica. “A verdade é que sabemos que o choro causa muito stress, uma grande elevação do cortisol nos bebés, não só no momento do choro, mas nos quatro dias subsequentes àquele episódio. Ou seja, vão andar em constante queima de neurónios e de ligações entre eles e isso não só tem efeitos na parte cognitiva, como também em termos emocionais, já que vamos criar muita insegurança nestes bebés.” É um facto que os bebés acabam, eventualmente, por se calar sozinhos. “Mas porque desistem”, garante Clementina Almeida.

Para os pais mais inseguros, fica a certeza:

“Os melhores especialistas de bebés não são os psicólogos ou pediatras, mas vão continuar a ser sempre os pais e o instinto e a intuição é o que os pais mais devem valorizar”. Cai, assim, por terra a ideia de que é preciso ensinar os pais a ser… pais. “O que temos é que os ensinar sobre o desenvolvimento das crianças, as etapas por que passam. Se eu tiver algum instrumento para pôr legendas no comportamento do meu filho, de certeza vou tentar adequar o meu comportamento para o ajudar e só aí já vou ser melhor pai. Se tenho uma pressão social para o que posso ou não fazer, independentemente de conseguir interpretar o que se passa, o mais provável é que eu fique frustrado e a criança também.”

 

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