O meu filho foi precoce numa série de coisas. A aprender a ler, a argumentar e contra-argumentar com os pais, a tecer considerações filosóficas e políticas, a fazer contas… mas não posso dizer que o tenha sido em coisas mais práticas. Vestir-se ou calçar-se, por exemplo, sempre foram tarefas que pensei que deixariam de ser minhas quando entrou para a escola. Grande engano. E bem podia esperar que o fizesse, ameaçar que ele ia de pijama para a rua e por aí fora… Esticar os braços e as pernas sempre soube fazer bem. O resto, bem, com 9 anos não posso dizer que ainda domine a tarefa, embora se tenha esforçado mais ultimamente. A verdade é que as camisolas ou calças do avesso ou as meias com os calcanhares fora do sítio continuam a ser frequentes. Mas pelo menos eles já se veste sozinho.

E é aqui que chegamos ao tema casa de banho. Limpar rabiosques faz parte da missão de qualquer mãe e embora não fosse das minhas tarefas preferidas (imagino que não seja a de ninguém!), tive a minha quota parte de mudança de fraldas. Depois disso, veio a limpeza do respetivo e, aqui, confesso que fui otimista. Mais uma vez, pensei que a coisa tivesse fim, com a ele a fazer o seu próprio serviço, na ida para a escola. Novo engano. O rapaz decidiu que não faria cocó durante o tempo de aulas e cumpriu – é curioso como ele se enoja tanto com os WC escolares, mas depois vai a correr às casas de banho públicas. E também não se importa de andar todo sujo, de mergulhar em lama e por aí fora…

Chega, não raras vezes, aflitinho a casa, mas lá nunca fez. É o que ele diz e eu acredito. E claro que, quando chega a hora da limpeza, a conversa é sempre a mesma: “Já está!” Uma afirmação que não, não se destina apenas a informar que o serviço foi concluído, mas é a forma encontrada para me avisar que está na hora de lá ir e fazer a limpeza. E quando lhe pergunto porque não a faz ele, a resposta é sempre a mesma: “Eu?” Como se esse fosse o meu trabalho, como se mãe fosse sinónimo de limpadora de traseiros e responsável por lidar com tudo o que é menos limpo.

Decidi, recentemente, que a coisa tinha que acabar. Foi informado que já tinha mais do que idade para o fazer sozinho e nem o olhar que me deitou, como que a dizer “deves estar maluquinha, que isso é nojento”, resultou.

Não tem sido fácil. E a verdade é que ainda oiço um ocasional “já está”, que tento ignorar. Confesso que às vezes não consigo, quando me ponho a pensar no resultado da limpeza feita por ele. E claro que a despesa com papel higiénico disparou. São rolos e rolos desperdiçados porque, para ele, o serviço só é bem feito com resmas de papel. Mas posso dizer que vale a pena!

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