Ter um bebé no dia a dia é ter um verdadeiro íman que atrai pessoas de todas as idades, credos, origens culturais e até sexos (embora as mulheres sejam sempre mais expressivas e insistentes na hora de interagir com o puto). Todos os dias o ‘comboio’ de preparação de um bebé de 11 meses para sair de casa só pára quando o deixo na creche. E é raro o dia em que não há uma senhora a passar e a meter-se com o puto, que vai sempre ao meu colo. O mais simples é o sorriso para ele, e a alegria imensa quando recebem um sorriso de volta. Mas há muitas que gostam de tocar, na mão, no braço, na bochecha.

Mesmo sem ser no caminho para a creche, há muitas pessoas conhecidas, algumas que mal conheço (não falo de familiares ou amigos) que gostam de pegar ao colo, dar muitos beijinhos, espremer as bochechas. A certa altura dou por mim a pensar em por o puto a render, cobrar para usufruirem de tamanha fofura de que muit@s parecem quase viciadas. Há mulheres (não conheço homens assim mas podem existir) que não aguentam em ver um bebé sem lhe pegar, mesmo que não conheçam os pais. E vão logo às bochechas e aos beijos.

Como pai de um puto de 11 meses, também dou por mim a pensar no quão me irrita esta apropriação de fofura alheia. Sim, o puto é um fixe, sorridente, bem fofo. Sim, está disponível para ser fofo para amigos e família, dentro de certos limites, mas o exagero de pessoas que mal conhecemos chega a ser irritante. Sim, há pessoas com muito jeito para bebés e desde que o puto esteja bem – ele gosta de pessoas novas, por norma -, não há grande preocupação. Mas quando se abusa nos beijos e nos apertanços ao puto já irrita. Hey, gente, um bebé também é gente. E, hoje em dia, raramente se pede aos pais autorização para dar os mimos extra.

Por último, dou por mim a pensar no quão desagradável seria se os viciados e exagerados com bebés que acabam de conhecer, fizessem o mesmo (os beijos, as festas, o espremer de bochechas, os abraços apertados) com adultos, adolescentes ou mesmo crianças. Primeiro, iria pôr todos na rua a olhar para uma situação no mínimo bizarra. Depois, o próprio visado podia muito bem responder com uma lambada. É que ninguém pede aos bebés se lhes podem pegar, beijar ou apertar. Sejam fofos para os bebés mas não abusem (se usem) da fofura deles – especialmente dos que não conhecem bem – seria a lição que tiro daqui. #osbebéstambémsãopessoas 

by ET

 

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