Eu sei que não os podemos almofadar. Que não os podemos embrulhar naquele plástico com as bolhinhas de ar ou vestir-lhes uma armadura para evitar que se magoem. Mas a verdade é que dá vontade.

Sim, eu sei, é preciso dar-lhes espaço. Deixá-los aventurarem-se e, eventualmente, ‘caírem’. Afinal, foi assim que muitos de nós cresceram. É um facto que os meus pais se preocupavam, que queriam saber onde ia, com quem ia, o que fazia. Mas deixava-me ir para a rua sem me acompanharem, qual sombra (que às vezes, confesso, sou). Os tempos eram outros, mas os pais também. E a epidemia de mães – e pais – galinhas dos dias de hoje é também sinal disso.

Há menos tempo para eles e, por isso, tenta compensar-se com uma presença constante. Os americanos chamam-lhes ‘helicopter moms’, que estão sempre ali, a sobrevoar a baixa altitude. Acho-lhes piada e gosto de pensar que não sou nada assim. Mas a verdade é que é impossível não o ser, uma vez ou outra. Afinal, quem é que gosta de ver os filhos cair?

Hoje, depois de 48 horas sob observação (duas noites sem dormir para mim e mais uma centenas de novos cabelos brancos motivados pela preocupação) resultado de ter caído e batido com a cabeça no chão, juro que a minha vontade foi de o mandar para a escola de capacete. Até porque sei que todo o vocabulário que gastei a tentar alertá-lo para os perigos que o rodeiam, a pedir-lhe para correr menos ou com mais cuidado, vão cair em saco roto. Afinal, as crianças serão sempre crianças. Mas os pais também.

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