O meu filho não tem telemóvel. Por vários motivos. Primeiro, porque não lhe vejo grande utilidade. Precisa de um telemóvel para quê? Para falar com os amigos, dizia-me há uns tempos uma outra mãe. Não, não precisa porque vê os amigos todos os dias. E mesmo aqueles que não vê diariamente, até esses pode encontrar para falar sem necessidade de um intermediário eletrónico.

Precisa para falar com os pais? Não, também não. Com estes fala todos os dias (desde o minuto que se levanta até ao que se deita, ou não fosse ele uma máquina de conversa interminável).

E se houver uma emergência? É para isso que eu dou o meu contacto. A escola tem-no; a avó, com quem fica depois das aulas também, assim como os pais dos amigos com quem sai.

Para jogar, esclarecia-me um dos amiguinhos, surpreendido pelo facto de, com 9 anos, o meu filho não ter um telemóvel. Para jogar, respondi eu, tem um tablet, tem consolas, tem jogos de tabuleiro. Fontes de entretenimento não lhe faltam. Não precisa de juntar mais uma.

E tudo isto a propósito de um artigo que vi no Público, que cita um estudo com números que me surpreendem. Diz o trabalho, levado a cabo pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (‘Crescendo entre Ecrãs. Usos de Meios Electrónicos por Crianças’), que 18% (uma em cada cinco) das crianças entre os três e os oito anos têm um telemóvel para uso pessoal. E metade destes telefones são smartphones com acesso à net, algo que 38% das crianças fazem.

E claro que o motivo dos pais se prende, em grande parte, com a necessidade de manter os filhos ocupados.

Não julgo os pais que dão telemóveis aos filhos. Quem sou eu para o fazer? E também eu já sentei o meu à frente da televisão ou de um qualquer ecrã de computador para o manter entretido enquanto fazia qualquer coisa. Mas por enquanto – e sei que um dia ele vai ter telemóvel, talvez muito antes daquilo que eu desejo – ele é muito feliz sem um telemóvel. E eu também.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Anúncios